Me afastei e agora? Estou perdida?
- JOSI CARTOMANTE
- 5 de jan.
- 2 min de leitura

Tem uma coisa que eu vejo direto dentro da espiritualidade e que, sinceramente, me incomoda bastante. Sempre que alguém se afasta, pronto: já está perdido, já esfriou, já se desviou, já não presta mais. Parece que sair de uma casa, de uma religião ou de um caminho virou sinônimo de fracasso espiritual. E não é!
Nem todo mundo que se afasta está fugindo. Às vezes a pessoa só cansou. Às vezes percebeu que aquele lugar já não faz mais sentido. Às vezes cresceu, mudou, amadureceu. Isso acontece na vida inteira, em tudo. Por que com espiritualidade teria que ser diferente?
Tem gente que não se afasta porque perdeu a fé, mas justamente porque começou a levar a própria espiritualidade a sério. Começou a perceber quando algo vira peso, cobrança, culpa, disputa de ego. E chega um momento em que continuar ali machuca mais do que sair.
Muita gente se afasta porque está ferida. Ferida por abuso espiritual, por manipulação, por controle, por gente que confunde autoridade com poder. E se afastar, nesses casos, não é abandonar o caminho, é se proteger. É escolher não sangrar mais em tanque de tubarão!
Tem também quem simplesmente precise de silêncio. Parar um pouco, respirar, organizar a cabeça, o coração e a fé. Nem todo mundo aguenta esse ritmo de estar sempre em gira, sempre em ritual, sempre respondendo oráculo, sempre provando alguma coisa. Às vezes o espírito pede pausa, e tá tudo bem!
O problema é que muita gente não sabe lidar com isso. Confunde cuidado com controle. Em vez de perguntar se a pessoa está bem, já julga. Em vez de respeitar, aponta. Em vez de acolher, condena. E isso diz muito mais sobre quem faz do que sobre quem se afastou.
Quem está realmente perdido geralmente se agarra em qualquer coisa. Aceita qualquer discurso, qualquer medo, qualquer imposição. Quem se afasta, muitas vezes, já entendeu demais pra continuar fingindo que não vê. Já sentiu demais pra continuar se violentando espiritualmente.
O sagrado não vai embora porque alguém deu um tempo. Não castiga porque alguém silenciou. Não abandona porque alguém escolheu cuidar de si. Se uma espiritualidade só funciona na base do medo e da culpa, talvez o problema não esteja em quem saiu, mas no jeito que isso está sendo vivido.
Nem todo mundo que se afasta está perdido. Tem gente se encontrando. Tem gente se curando. Tem gente só vivendo a própria fé do jeito que dá. E isso também é espiritualidade!
Às vezes o caminho não acaba. Ele só muda. E tá tudo bem!
J. F. R. C



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