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As Bruxas do passado: "Hypatia"

  • Foto do escritor: JOSI CARTOMANTE
    JOSI CARTOMANTE
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

Hypatia de Alexandria não foi chamada de bruxa em vida.

Ela foi chamada de filósofa, matemática, astrônoma e mestra.

O problema é que, em certo momento da história, isso passou a ser perigoso demais para uma mulher.

Hypatia viveu em Alexandria, no final do século IV e início do V. A cidade ainda era um dos últimos grandes centros do conhecimento antigo. Ali, matemática, filosofia, astronomia e espiritualidade caminhavam juntas. Pensar não era pecado. Perguntar não era ameaça. Ainda.

Hypatia ensinava em público.

Homens iam ouvi-la.

Homens aprendiam com ela.

Ela falava de Platão, de geometria, do movimento dos astros, da harmonia do cosmos. Mas, mais do que isso, ela ensinava algo que sempre incomodou: pensar por conta própria.

E pensar, naquele momento histórico, começou a ser visto como desobediência.

O cristianismo ganhava força política, e com ele vinha a necessidade de controle. O mundo precisava de respostas únicas, verdades fechadas, autoridades incontestáveis. Hypatia era o oposto disso tudo. Ela não pregava uma fé. Ela ensinava método, razão e questionamento.

Aos poucos, o discurso mudou.

Ela passou a ser acusada de influenciar governantes.

Depois, de confundir os fiéis.

Depois, de praticar feitiçaria.

A palavra “magia” apareceu quando já não havia mais outro rótulo possível para justificar o medo.

Em 415 d.C., Hypatia foi atacada por uma multidão. Arrancada de sua carruagem, levada para dentro de um edifício e assassinada de forma brutal. Seu corpo foi mutilado e queimado. Não houve julgamento. Não houve defesa.

Não foi um crime comum.

Foi um recado.

A morte de Hypatia marcou algo maior do que o fim de uma vida. Ela simbolizou o encerramento de uma era em que mulheres podiam ensinar, pensar e ocupar espaço público sem precisar pedir desculpas por isso.

Depois dela, o saber feminino passou a ser tolerado apenas se viesse travestido de devoção. Ou silêncio.

Hypatia não lidava com mortos como Ericto.

Não tocava partos como Peseshet.

Ela lidava com ideias.

E a história mostra, repetidas vezes, que ideias nas mãos de mulheres sempre foram tratadas como ameaça.

Por isso, mais tarde, ela seria lembrada não como filósofa — mas como herege. Não como cientista — mas como feiticeira. Porque chamar de “bruxa” sempre foi mais fácil do que admitir que o problema era o conhecimento.


Fontes históricas para quem quiser pesquisar

Sócrates Escolástico – História Eclesiástica

Damascius – Vida de Isidoro

Maria Dzielska – Hypatia of Alexandria

Edward Watts – City and School in Late Antique Athens and Alexandria



 
 
 

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©por Josi Taróloga

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