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As Bruxas do passado: "Ericto" (a necromante).

  • Foto do escritor: JOSI CARTOMANTE
    JOSI CARTOMANTE
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de jan.


O campo de batalha ainda não tinha esfriado.

O cheiro de ferro, sangue e terra revolvida permanecia no ar, como se a própria guerra se recusasse a ir embora. Corpos espalhados pelo chão, muitos ainda sem sepultura, sem nome, sem despedida. Homens que morreram rápido demais para qualquer rito.

Foi nesse cenário que Ericto surgiu.

Ela não correu.

Não se escondeu.

Caminhou entre os mortos como quem entra em casa.

Os soldados vivos observaram de longe. Não por respeito — mas por medo!

O nome dela já era conhecido na Tessália. Uma mulher que não consultava oráculos, não pedia favores aos deuses e não se submetia a templo algum. Quando os deuses se calavam, era a ela que recorriam.

Aquela guerra civil romana tinha deixado uma pergunta sem resposta. César ou Pompeu? Quem venceria? Nenhum augúrio ousava falar. Nenhum sacerdote queria carregar o peso daquela profecia.

Então decidiram perguntar a quem não mente.

Os mortos!

Ericto sabia algo que o mundo antigo conhecia bem: o morto recente ainda não partiu por completo. A alma permanece próxima, desorientada, presa entre o que foi e o que ainda não é. E o campo de batalha é o lugar onde essa fronteira fica mais frágil.

Ali, a ordem já tinha sido quebrada.

Ali, a morte ainda estava aberta.

Ela escolheu um corpo que ainda não havia esfriado. Um homem sem ritos, sem sepultura, sem descanso. Um espírito suspenso. Exatamente o ponto onde a necromancia antiga operava.

Não houve oração.

Não houve pedido.

Houve comando.

Ericto abriu o corpo, invocou forças anteriores aos próprios deuses olímpicos e ameaçou o submundo até que a alma retornasse. O cadáver se ergueu apenas para falar. Apenas para revelar o futuro da guerra — um futuro de ruína, sangue e queda, inclusive para quem fazia a pergunta.

Quando a profecia foi dita, o corpo caiu novamente.

E Ericto se afastou como tinha chegado: sem testemunhas que ousassem comentar o que viram.

Mais tarde, os escritores romanos tentariam descrevê-la. Chamaram-na de "monstruosa, impura, anti-humana". Não porque o ritual fosse falso! — mas porque funcionava!

Ericto y exercia um poder que não passava por homens, por Estado ou por religião.

Ericto não foi lembrada como sábia.

Foi lembrada como ameaça!

E esse sempre foi o destino das mulheres que lidaram com o proibido: não serem apagadas, mas distorcidas até virarem aviso. Um recado silencioso para que nenhuma outra ousasse ir tão longe.

Mesmo assim, o nome dela atravessou os séculos.

Porque há verdades que só falam quando tudo já foi quebrado.

E há mulheres que sabem exatamente onde escutar!


Fontes históricas para quem quiser pesquisar

Lucano (Marcus Annaeus Lucanus), Pharsalia (Farsália), Livro VI

Daniel Ogden, Greek and Roman Necromancy

Matthew Dickie, Magic and Magicians in the Greco-Roman World

Georg Luck (org.), Arcana Mundi


 
 
 

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©por Josi Taróloga

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